Pequenas gentilezas


Pequenas gentilezas

Por Mariany Araújo – Jornalista

Essa semana, algo simples me surpreendeu. Uma amiga comentou, encantada, sobre uma pequena gentileza que recebeu. Nada grandioso, nada que mudasse o rumo do dia, apenas um gesto delicado, uma atenção inesperada. E a surpresa dela me fez pensar.

Em que mundo estamos vivendo para que a educação, o cuidado e a gentileza se tornem acontecimentos raros, quase extraordinários?

Por que estamos tão acostumados ao desinteresse, à dureza, ao egoísmo, a indelicadeza, que um gesto mínimo nos emociona como se fosse um presente raro?

E essa reflexão chegou justamente na semana em que se celebra o Dia Mundial da Gentileza, 13 de novembro. Data criada para nos lembrar do que, na verdade, não deveria ser esquecido nunca.

Engraçado pensar que precisamos de um dia específico para celebrar algo que deveria ser diário, natural, instintivo e comum.

Porque, no fundo, o problema não é a gentileza existir, o problema é ela ter se tornado exceção. O que deveria nos surpreender são as grosserias, a falta de sensibilidade, a impaciência que atravessa nossos dias. Não o zelo, o carinho e a atenção.

Talvez por isso o Dia da Gentileza seja tão simbólico. Ele nos cutuca. Nos pergunta discretamente se não estamos aceitando menos do que deveríamos nas relações, nos ambientes, nas rotinas. É um convite  para repararmos no que ficou raro, e para fazermos florescer o que foi sendo esquecido.

Num mundo apressado e áspero, ser gentil virou quase um ato de resistência. Um lembrete de que ainda há suavidade, ainda há espaço para delicadezas, ainda há pessoas que sabem olhar o outro.

E talvez o caminho seja esse: estranhar menos a gentileza e fazê-la mais. Quem sabe assim, um dia, ela volte a ocupar o lugar que sempre mereceu: o de ser simplesmente… normal.

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