Setores produtivos do Ceará buscam mercado chinês para enfrentar impactos de tarifaço dos EUA
Os efeitos negativos do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, já são sentidos por setores produtivos do Ceará. Em apenas 30 dias após a entrada em vigor da taxação de 50% sobre diversos produtos brasileiros, empresários cearenses, especialmente dos segmentos de castanhas e frutas, passaram a buscar alternativas no mercado chinês.
Com prejuízos acumulados e cadeias produtivas impactadas, representantes desses setores procuraram a Câmara Chinesa de Comércio do Brasil (CCCB) em busca de novas oportunidades de exportação. A coordenadora da entidade, Amanda D’Ávila, explicou que tratativas foram iniciadas com foco no potencial exportador das castanhas e na adaptação logística necessária para as frutas, que poderiam ser enviadas em formato processado, dada a distância entre os dois países.
A movimentação dos empresários cearenses foi motivada, em grande parte, por fatores políticos que influenciaram a decisão do governo americano. Segundo a CCCB, essa mudança no cenário comercial abriu margem para novas possibilidades com a China, que tem demonstrado interesse em produtos brasileiros e mantém laços comerciais em expansão com o Ceará.
Outro setor que também busca ampliar relações com o mercado chinês é o de rochas ornamentais. Mesmo fora da taxação norte-americana, o segmento já possui parcerias consolidadas com os mercados americano, europeu e chinês, e agora pretende intensificar sua presença internacional.
A existência de uma rota marítima direta entre o Porto do Pecém e a China, estabelecida neste ano, contribui para a viabilidade logística das exportações, sendo um diferencial competitivo que favorece a criação de novos negócios.
Durante sua visita ao Ceará, Amanda D’Ávila participou do evento “Panorama Brasil-China 2025: Oportunidades de Negócios”, onde destacou o grande potencial do mercado chinês e apresentou informações estratégicas para empresários interessados em expandir suas atividades para o país asiático. Ela ressaltou que ainda há desconhecimento sobre o funcionamento do mercado chinês, mas observou uma resposta positiva e ativa dos empresários locais, demonstrando interesse genuíno em aprender e se adaptar.
Atualmente, o Brasil figura entre os seis principais países dos quais a China mais importou em 2024. Entre os fatores culturais considerados cruciais para fazer negócios com os chineses estão o estabelecimento de relações de confiança, uma visão de longo prazo e o foco na execução eficaz.
A crescente demanda por exportação observada pela CCCB também se reflete nas operações de empresas como a NTCargo. De acordo com a CEO Gabriela Marcondes, importar insumos estratégicos da China tem sido uma forma de preparar a produção local para mitigar os efeitos do tarifaço. Ao mesmo tempo, a exportação de produtos com apelo no mercado chinês se apresenta como uma via promissora de recuperação econômica.
Essa movimentação envolve tanto empresas com histórico de negócios com o país asiático quanto novos empreendedores que estão expandindo horizontes e buscando entender melhor o funcionamento do mercado chinês diante do cenário de instabilidade comercial com os Estados Unidos.



